quinta-feira, 14 de maio de 2009

There love in the air. Do you wanna breathe now?

Após passar dias naquele estado profundo de sono, alfa, coma ou como preferirem chamar. Eu pude me sentir mais uma vez eletrizada; não no sentido de fobia ou ansiedade, mas sim, sentir o pulsar de sangue em minhas veias e perceber que tem de haver um motivo para eu estar aqui e somente eu posso ter o menor controle que seja sobre isso.
Eu senti as ondas me chamando para caminhar junto a ela, e obedeci com um sorriso ao canto do lábio. Eu queria, eu precisava daquilo tanto quanto jamais havia o sentido antes. Um sinal, talvez. Mas talvez, eu também não acredite em sinais.
Como num caso do mais puro acaso... Ele estava ali, sentado junto a minha pedra favorita, como que esperando por algo, por alguém, por mim. Parecia loucura, mas a tal altura, não vejo o que perder.
Ele não estava só - ou pelo menos foi essa a impressão que tive ao me aproximar. Ele falava e ria abertamente, uma voz grave e uma risada gostosa de se escutar. Eu só podia ver suas costas e não imaginava o que alguém poderia estar fazendo sentado naquela pedra alta onde batia aquele mesmo vento gelado de Junho ao qual eu já era habituada - assim como o hábito de me encontrar comigo mesma sozinha ali.
Eu não tinha muitas opções, aquele era o meu lugar e de repente eu sentia a presença de um intruso que não me parecia tão ruim assim. Não, não dessa vez. Sem proximidades. Hora de dar meia volta e fechar aquela porta sempre tão vulnerável e tendenciosa ao sofrimento quando eu me dava ao mínimo descuido de baixar a guarda pelo menor tempo que fosse. Hora de fechar a porta mais uma vez.
Eu tentei, juro que me esforcei. Mas de certa forma, aquilo tudo me maravilhava e seduzia. Tudo bem, é só uma noite gelada e logo menos estarei deitada mais uma vez sobre minha cama quente e nem ao menos me lembrarei deste estranho engraçadinho.
Me juntei a ele com a pior desculpa e mais usada possível que encontrei no meu vocabulário.
- Por favor, que horas são?
Aqueles olhos cor de mel penetraram aos meus de uma forma inexplicável. Além de lindos, eram penetrantes, encantadores, inexplicáveis.
Ele respondeu alguma coisa relacionada a macacos que voavam ou qualquer outra coisa sobre matemática. Eu não consegui me recordar dessa parte, perdão.
Eu me sentei junto a ele depois de seu convite, eu não tive palavras, apenas assenti e me juntei a ele.
A noite seguiu entre conversas tendenciosas e tensas; entre risos e gargalhadas; entre abraços, beijos e carícias tão puras quanto o amor. Ele era diferente de tudo o que conhecia - o que mais uma vez era um bom motivo pra me afastar daquele maluco magnificamente encantador.
Eu sentia meu corpo implorando por um banho quente e roupas novas, mas eu não pude, simplesmente. O sol nascia diante de nós mais uma vez. Eu já havia visto tantos daquele sol nascente, mas aquele, ao mesmo tempo era diferente. Era mais iluminado, por mais que o vento gelado estivesse cortando nossas entranhas ali, a beira mar.
Era hora de ir embora, uma dor nova partia meu peito. Não era a dor que eu tinha me habituado em relação aos homens. Em geral, todos eles sempre me ajudaram com muita generosidade a esquecê-los simplesmente mostrando sua personalidade frágil e infantil. Já ele saia ali da minha vida voltando ao seu mundo levando consigo toda a admiração, encanto e chama de paixão que ele poderia ter extraído de mim.
As caminhadas a beira mar, agora seguiam em busca daqueles olhos cor de mel fumegando junto aos meus, ao sentimento que eu julgava só ser possível ao longo de tanto tempo; eu ardi por ter aquilo mais uma vez.
A vida se seguiu, sem ele. Mas com a promessa de que homens de verdade existem; é só uma questão de tempo, paciência, sorte e amor próprio para amar ao outro.