Como em um sonho.
Manhã de quarta-feira. Mais um dia com aquela mesma rotina comum suportável, comum... As mesmas pessoas, os mesmos boatos e novidades com algumas diferenças que ela realmente se forçava a diferenciar da do dia anterior para não decepcionar as amigas que a procuravam com tanta voracidade esperando expressões e respostas tão fortes e extravagantes quanto as que as mesmas tiveram quando o fato ocorreu numa igualdade tediante a do dia passado que só as amigas não viam... Tudo bem, ela entende, já teve dias melhores e conhecia a decepção que não queria trazer àqueles que a queriam por perto.
Tinha também prioridades, Hobbes, amigos e um passado como qualquer outra pessoa. Talvez um passado um pouco mais intenso - isso não significa que tenha sido melhor - que boa parte de seus colegas. Era uma vida feliz; com altos, baixos; felicidades, tristezas; ilusões e tantas quanto, as decepções.
Sorria durante uma parte considerável do dia e não era só por aparências. Ela era feliz. Com amigos, um futuro e passado traçados, e uma paixão para encorajá-la a seguir por mais que não fosse um romance como suas amigas descreviam; ela estava satisfeita em ter alguém para admirar.
Esse alguém, como nos seus mais profundos devaneios: tudo aquilo que ela via em filmes e admirava: Alto, loiro, olhos claros, magro, calado, tímido e um olhar covardemente sedutor.
Não precisava ser seu namorado, ela o possuía de certa forma que ele não imaginava e jamais imaginaria. Como em um sonho.
Era daquela forma que ela se acostumou com o ‘amor’ tão citado. Aquele sentimento parecia um encaixe perfeito à descrição dos livros e amigas: primeiro olhar congelante; procura pelos cantos; Calafrios e arrepios com a possibilidade de se conhecerem e se aproximarem e finalmente travar da forma mais ridícula possível com as palavras diante dele e despedir de mais uma chance de aproximação. Tudo bem,ela é acostumada e está quase começando a se encorajar parar despejar todas as suas ânsias e sentimentos acumulados por ele por tanto tempo, e coitado, ele mal tem culpa ou sequer imagina a situação em que se metera. Quem manda aparentar ser tão perfeito?
Os dias passam, a certeza dela sobre tal atitude cresce e quando ela alcança seu estopim, toma sua decisão. Um olhar muda tudo aquilo, toda convicção vai por água a baixo e um sujeito estranho com pinta de malandra e todas as qualidades negativas imagináveis para ela se mostraram em sue sorriso. Já era tarde. Os olhares sedutores do cara com pinta de ator já não surtiam mais efeitos e por mais que fosse difícil para ela admitir, ela já sabia que era com ele que estava seus pensamentos. Que quando estivesse desprevenida, seria ele quem a surpreenderia.. Doía, mas é o jogo da vida.
O sonho do amor, como tudo, teve seu inicio, meio e fim. E na verdade, também não era amor. Só uma dose mais forte do que ela provara antes.
Como um sonho. Ela acordou.

